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10 de abril de 2017

Manias e costumes

 É inacreditável como as pessoas têm o dom e o hábito natural de falar sozinhas em plena luz do dia, em público. Outro dia estava passando de carro por uma rua sem muito movimento quando avistei no sobe-e-desce da calçada, um rapaz aparentemente saudável, vestia calça jeans e uma camiseta básica. Não fazia uso de fones de ouvido, e ele seriamente se auto-conversava. Tudo bem que eu acredito em espiritualidade, e que teria uma possibilidade grande dele estar apenas cantando, mas não se analisarmos o contexto em geral; ele franzia as sobrancelhas a cada frase, seu olhar estava compenetrado e ele falava quase que entre-dentes como se estivesse xingando alguém... Ou a si mesmo, vai saber! Depois de subtamente identificá-lo como doido, coitado, resolvi analisar e percebi que não era só ele quem falava sozinho não! Pois é, eu também falo... Só que no meu caso eu falo sempre com alguém, que por incrível que pareça, nunca está presente no momento. Você pode até negar assim de primeira, mas confesse-se você também fala sozinho quando está pela rua! Pode ser que as cores muito acinzentadas das ruas, e talvez aquele momento seu com você mesmo te faça refletir sobre situações que aconteceram, ou que podem vir a acontecer (ou não)... Não sei bem o que influencia esses momentos, mas só sei que a cena vai acontecendo, e todo mundo acaba, mais cedo ou mais tarde, se deixando falar consigo mesmo, vivendo situações que não aconteceram, inventando histórias, ensaiando, cantando e etc. E claro, como conclusão podemos dizer que não é só porque todo mundo faz, que este seja um ato muito louvável, aliás não é nada aceitável. Então, da próxima vez, se toca! Tá todo mundo olhando!

 Eu tenho o costume de ouvir música andando em círculos no meio dá casa, eu canto, pulo, grito, começo a rir, penso em coisas que podem vir a acontecer. Paro! Tomo água, e continuo rodando em círculos. Quando comecei a fazer isso há uns doze anos atrás minha mãe e minha irmã se incomodavam muito, uma vez minha irmã abriu a janela e desligou o resistro de luz, por que sabia que eu tinha medo de escuro. Meu pai então só fazia rir, e ficava parado com a mão na cintura rindo dá minha cara! E eu perguntava: o que foi pai? O que é que o senhor tá rindo? Aí ele dizia: tu tá parecendo aqueles bois de rodeio. Essa foi a única maneira que achei de aliviar minhas emoções, por isso eu sou tão magrinha! As vezes penso em parar quando estiver casada, já pensou? Eu com uma marmota dessa na frente do meu marido? Ele iria achar que eu era louca. Então eu penso em fazer longas caminhadas quando eu me casar, para aliviar a tenção e o estresse, o homem que casar comigo vai ter vida de rei, todo dia eu penso nisso, pense numa mulher submissa.

 Todos nós pensamos alto de alguma forma, alguns falam, outros fazem uns mugangos, outros acham graça, outros fazem cara feia e etc. Todo mundo tem uma forma de aliviar o seu interior de algum jeito, tenho uma colega que está fazendo jardinagem em casa, pois ela se sente muito bem quando está com os pés em contato com a terra. Confesso que achei muito chique, mais prefiro ficar rodopiando mesmo, é bom que eu de alguma forma esteja praticando um exercício físico, andar e correr ao mesmo tempo, tudo dentro de casa, olha só que prático! As vezes vou pra garagem dá minha mãe, coloco meus tênis de caminhada e fico lá rodando umas quatro horas. Às vezes estamos tão sozinhas para construir e concretizar certos sonhos, que precisamos falar sozinha. Porque aprendi que tudo que fiz falando, pedindo opiniões me dei mal. E aprendizado não é inteligência. Falo muito comigo. Consigo resolver pendências. Chego a algumas conclusões. Na verdade não falo alto mas é uma espécie de diálogo interno.

 Quando eu era criança minha mãe me botava para ciscar o sítio que a gente mora "que hoje é quintal, pois o meu pai quando se separou dá minha mãe vendeu a metade do nosso terreno" e eu já tinha o costume de falar comigo mesma, ficar argumentando, pensando alto... E do nada meu pai aparecia atrás de mim, e ficava me observando, ele dizia que eu não poderia falar sozinha, pois quem fala só fala com o capeta. Eu chorava muito por ter que limpar um terreno imenso, apanhar as folhas e colocar pro carro do lixo levar, eu detestava isso, e achava que a minha mãe estava me explorando de alguma forma. Muitas crianças tem o hábito de falar sozinhas por conta dá solidão mesmo! Por não ter amigos, não ter com quem conversar, minha mãe por exemplo nunca deixou eu brincar com outras crianças, na escola eu era odiada por todos, ficava sentada no pátio esperando o recreio terminar. Minha irmã também tem essa mania, muitas vezes eu reparo e ela começa a rir, ela cria situações na mente dela e faz de conta que tudo está acontecendo naquele momento, minha avó também faz isso, mais ela diz que está falando com Deus. Afinal de contas o que seria normal pra você? Pois toda mania e costume que o ser humano tem é taxado como anormal, ou estranho. Sendo que todo mundo faz essas coisas, ou até mesmo coisas piores. Há estudos que comprovam que pessoas que falam sozinhas são grandes gênios. Eu sabia que eu era especial de alguma forma.

 Beijinhos e fiquem na fé! 😂

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