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28 de março de 2017

Uma infância perdida

 Hoje pela manhã, fui tomar café na casa dá minha avó paterna. As vezes quando acordo cedo vou tomar café com ela e as minhas tias, e a gente fica conversando, além disso vejo meu pai. As vezes discutimos um pouco, até brigamos muitas vezes por besteiras, mais sempre relembramos do passado e dos momentos bons que tivemos. Não é com tanta frequência que falamos das coisas de quando eu era criança, ou dos tempos que a minha mãe andava por lá, e também dos problemas dá nossa família... Muitas vezes em nossas conversas tenho a impressão que minha avó, e as minhas tias, não consideram mais a família dá minha mãe como família delas. Por conta dá separação legal dos meus pais. Pra ser bem sincera, nem sei também se elas me considera dá família. Mais mesmo assim eu acredito que nunca deixaremos de ser uma família por causa da separação deles, pois mesmo eles sendo separados ou não, o que importa é a convivência que tivemos, até por que eu sou filha deles não é mesmo? Então aí ouve uma mistura de sangue... Se o meu pai é meu pai, certamente as tias dele serão minhas tias, e a mãe dele será minha avó, não sei pra que tanta confusão por causa disso. Eu moro com a minha mãe e a minha irmã, e meu pai mora com a minha avó e as tias dele há alguns quarteirões dá minha casa. E isso já vai fazer mais de quinze anos.

 Sempre fui uma criança muito sozinha, sempre brinquei no fundo do quintal com os meus brinquedos e com as minhas invenções. Dentro de mim eu sentia uma necessidade enorme de ter uma amiguinha para brincar, mais minha mãe não deixava eu ter amizades com as outras crianças dá rua. Brincava de casinha, fazia de conta que tinha um marido e um filho imaginário, colocava um monte de tábuas em cima de um pé de cajá, e ali era minha casa do futuro. Quando ia na casa da minha avó, brincava numa casinha velha de barro que tinha no fundo do quintal, onde elas guardavam coisas velhas. O único problema é que eu tinha medo de brincar lá, pois minhas tias contavam uma história de uma mulher que tinha morrido naquela casa, e muitas vezes eu brincava assustada, quando meu pai ou minhas tias apareciam de surpresa atrás de mim, eu levava um baita de um susto.

 Sofria muito bullying na escola, minha mãe na época que eu fazia o ensino fundamental dava aula para crianças da quarta série a sétima, e eu nunca tinha sido aluna dela, pois as turmas eram divididas em A, B e C. Tinha muita dificuldade de aprendizado por conta das agressões que sofria em casa, tirava notas baixas e meu rendimento escolar era péssimo, principalmente em matemática, a única matéria dá escola que eu era muito boa era ciências. Em casa eu era espancada pelos meus pais, na escola eu apanhava dos meus colegas de sala, até mesmo de meninos de outras turmas, as professoras não gostavam de mim, e isso me fazia sofrer muito... Eu não tinha um amigo se quer. E acreditava que a minha vida seria sempre daquele jeito. Antes de dormir eu orava a Deus que chegasse logo a oitava série, para poder sair dá escola e entrar no ensino médio. Naquela época eu tinha uma professora que se chamava Fátima. Ela foi minha professora na segunda, na terceira e na quarta série. Eu tinha aproximadamente onze anos de idade, todos os dias eu chorava para resolver cálculos de multiplicação, principalmente divisão que tinha que fazer aqueles pauzinhos. Ela me pegava pelo braço com tanta força que eu ficava com os braços vermelhos, e chorava muito... Ela me chamava a lousa para resolver cálculos, e quando eu errava ela colocava um rabinho e uma orelhinhas de burro em mim, e quando estava com as mãos sujas de giz ela mandava eu limpar na roupa... Me sentia humilhada, desprezada, e uma raiva imensa dentro de mim, parecia que eu estava vivendo um pesadelo e que aquilo nunca iria acabar... Ela reclamava de mim para minha mãe na sala dos professores, e quando eu chegava em casa minha mãe me batia muito. Passava mais tempo na diretoria fazendo deveres, do que na sala de aula, e quando estava na sala era uma confusão, ninguém queria ficar em grupo comigo, me chamavam de burra, todo mundo me chamava de burra naquela época. Era muito magra, não comia direito, e isso era uma preocupação para minha família, pois todo mundo reparava e ficava falando... Quando ia ao médico estava abaixo do peso, era forçada pelos meus pais a comer, e mesmo vomitando tudo tinha que comer o prato inteiro. Reprovava nas provas dá escola e só conseguia passar no final do ano, quando ficava de recuperação. Meu pai comprava várias vitaminas pra mim tomar, ele tirava todas as pílulas dos frascos e contava as que eu não tomava, e quando esquecia ele me fazia tomar vários comprimidos de uma vez, e me batia muito. Só que não adiantou nada, por que até hoje sou magra.

 Eu escrevia diários sobre a minha vida, diários esses que foram confiscados pela minha mãe quando eu era adolescente. Foi na oitava série que comecei a escrever esse blog, e foi depois de alguns anos que disseram para minha mãe que eu estava falando sobre a minha vida num blog, e expondo a família inteira. E ela mandou eu apagar todas as postagens... Se caso eu não apagasse ela iria me expulsar de casa.

 Confesso que foi muito difícil passar por tudo isso calada, e além de tudo ver minhas coisas sendo destruídas e invadidas pelos meus pais. Como se já não bastasse eles me baterem tanto, eles ainda quebravam as minhas coisas, rasgavam os meus diários, jogavam meus brinquedos no lixo. Então eu não podia mais brincar no quintal, não podia ler revistas, nem ouvir músicas, e nem mesmo assistir televisão e ver filmes de terror. Eu amava filmes de terror, adorava quando meu pai me levava a locadora para escolher os filmes que eu quisesse assistir. Quando eles me colocavam de castigo, me trancavam dentro do quarto, e me deixavam lá de um dia para o outro. Minha mãe confiscava meus CDs e DVDs, tirava o cabo do som e me deixava ficar sem nada do que eu gostava.

 Como falei no início eu estava falando com a minha avó sobre o meu pai. Ele era o único que ia até a escola me defender dos meninos que me batiam. Ele me colocava na garupa dá bicicleta, e mandava eu apontar para os garotos que tinham me batido no dia anterior, então ele ia passando de um por um, e dava uma tapa na cabeça de cada um deles. Eu me sentia vingada e toda orgulhosa do meu pai, embora ele me maltratando em casa eu me sentia feliz de ser defendida por ele. Então as mães dos meninos procuravam a direção da escola, para reclamar que o meu pai estava batendo nos filhos delas, e eu ficava de castigo. Além disso eu era roubada na escola, e quando chegava em casa me dava conta que todos os lápis do meu estojo tinham sumido, aí minha mãe me batia.

 Minha família é muito desunida, minha mãe é separada do meu pai, e não anda na casa das minhas tias há anos... Por que não quer encontrar com ele. Daí então minha família que já é pequena se tornou minúscula depois dá separação dos meus pais. O pior disso tudo é que ninguém não gosta de ninguém, todo mundo fala mal de todo mundo, fazem acusações, se intrigam e se tornam cada vez mais distantes uns dos outros. Pior mesmo é no natal, e no ano novo, cada um nas suas casas, ninguém liga ao menos para comprimentar naquelas datas especiais.

 Acredito que agora teremos textos pequenos nesse blog, por que além dá censura dá minha família, eu fico sem saber o que escrever. Como já havia falado não quero expor tanto, mais do que eu já exponho... Mais quando escrevo me sinto aliviada, tenho que falar sobre alguma coisa para sentir um empoderamento interior. Espero que tenha algo para falar nos próximos dias, fiquei três dias sem escrever, e senti muita falta.

 Toda criança têm um lugar especial no coração de Deus e quem prejudica um filho de Deus está sobre a ira de Deus sobre ele. Quando os discípulos de Jesus tentaram evitar as crianças de virem a Ele, Ele os repreendeu e deu boas vindas às crianças a seu lado, dizendo: "Deixai vir a mim as criancinhas e não as impeçais porque das tais é o reino de Deus". (Marcos 10:14). Então, Ele botou as crianças em seus braços e as abençoou (v. 16).

 Beijinhos e fiquem na fé! 😘